Amor na adolescência
O nome dele era Xana, julgo que era Alexandre. Para mim no auge dos meus 13 anos era um «Apolo» . Lembro-me da primeira vez que o vi, vinha acompanhado do primo Rogério e do irmão mais novo.
Estava de férias na praia, depois de almoço íamos sempre aquele café eu e a minha amiga Cármen (mais velha que eu, tinha 16 anos), colocávamos uma moeda na «music box», sentávamo-nos na escada e ouvíamos «We are the Champions» dos «Queen». A Cármen retirava o maço de tabaco dos calções e o isqueiro do soutien e fumávamos um cigarro.
E eles passavam todos os dias á mesma hora, vagarosamente lançando olhares lânguidos na nossa direcção.
Eu derretia-me como um gelado, com todo o charme que conhecia com os meus 13 anos, dava uma baforada no cigarro, expelia o fumo pelo canto da boca, tentando não me engasgar, pois fumar também era uma novidade daquele verão, e tentava devolver um olhar próximo de «sedutor».
O Xana era loiro, alto e tinha 17 anos. Usava aquelas blusas de cavas o que deixava ver parte de um corpo perfeitamente esculpido (bom era o que me parecia a mim), e depois na praia podia observar o resto.
Numa daquelas tardes em que estávamos no café eles meteram conversa, queriam um cigarro e sentaram-se nas escadas.
Tornámo-nos num grupo. Todos os dias íamos para a praia, fumávamos cigarros juntos, ouvíamos os «Queen» juntos.
APAIXONEI-ME!!!!!
Eu tinha a certeza que ele também nutria os mesmos sentimentos por mim, pela atenção que me dava, pelas brincadeiras, pelas conversas, pelos beijos marotos que me dava (na face está claro).
Aquele sentimento «incendiava-me», aturdia-me os sentidos andava literalmente no «Pais da Alice das Maravilhas», era tudo uma novidade.
Aguardava ansiosamente, pelo MOMENTO!!! Esperava enquanto «cinematograficamente» visualizava o MOMENTO!!! Ele aproximava-se e calmamente diria «Sabes desde a primeira vez que te vi, que não consigo deixar de pensar em ti. Estou apaixonado. Amo-te » e depois olhava-me nos olhos, lentamente e docemente, agarrava-me pela cintura e roubava-me um beijo (agora na boca está claro).
Eu suspirava enquanto me deixava levar pelos pensamentos.
Aqueles suspiros começaram a preocupar o meu Pai, que achava que eu estava doente e pedia á minha mãe para falar comigo. A minha Mãe dizia «é da idade, idade do armário, deixa que lhe passa». E eu continuava a esperar pelo MOMENTO.
O MOMENTO chegou, não foi bem aquilo que eu imaginei. Um dia o Xana numa das nossas brincadeiras, disse-me: Olha lá eu curto-te buéeee chavala achas que dava para a gente curtir de vez em quando???? Nada sério tas a ver . Assim uns beijos para nos irmos entretendo nas férias!!!».
Ouvi uma voz que disse «AHHHH!!! Pois, não dá!!! Eu já tenho namorado». Ele voltou-me as costas «ferido no seu pseudo-ego de teenager», e no dia seguinte a Cármen comunicou-me que andava a «curtir» com o Xana.
Lembro-me que durante uma semana molhei as almofadas de tanto chorar, deixei de comer (aqui sim os meus pais ficaram muito preocupados). Fiz o meu «luto».
Depois desliguei-me do grupo, deixei de fumar (vicio que só mais tarde, muito mais tarde voltou), deixei de ouvir os «Queen» e passei para os «Duran-Duran».
E voltei-me a APAIXONAR!!!!!!
@ este post é dedicado ao Fdark, eu disse que me lembrava como me sentia em adolescente. E Lembro mesmo!!!! Tudo era dramático e importante. Uma borbulha no nariz qd tinha que sair á noite seria um «Caos» :)))
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